Liderança feminina no Setor Público: como aumentar a representatividade?

Qual será a participação feminina nos cargos de liderança do setor público hoje? Como impulsionar as mulheres na liderança? Veja aqui!

  • 9 mins leitura
  • 13 setembro, 2023
  • 03 abril, 24
  • Por Julia Silva

As esferas pública e privada enfrentam a falta de representatividade de mulheres em cargos de liderança! Muitas ações são necessárias, mas avanços aconteceram nos últimos anos. Por isso, trazer para o debate o tema da liderança feminina no setor público é extremamente relevante!

Todavia, a busca pela equidade de gênero passa pelo setor público: é onde acontecem os debates, discussões e tomadas de decisão que impactam o país. Isso pode ser feito via políticas afirmativas e iniciativas mais amplas.

Nesse sentido, a intenção deste artigo é contribuir para o debate ao abordar o cenário atual da mulher no setor público. Abordaremos as características que podem ajudá-las a se destacar, estratégias para conquistar cargos mais altos e os benefícios dessa participação em postos estratégicos.

Boa leitura!

O que falar sobre liderança feminina no setor público?

A participação feminina em cargos de liderança no setor público ainda é considerada insuficiente, apesar dos avanços conquistados pelas mulheres nas últimas décadas, mas é importantíssima para uma melhor distribuição de renda, combate ao preconceito e promoção da justiça social.

Dados do Observatório de Pessoal do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos apontaram que, na esfera da administração pública federal, a participação de mulheres em cargos de alta liderança chegou a 34%.

A porcentagem, ainda que seja insuficiente para representar o contexto real brasileiro, demonstra um avanço. Em abril de 2019, a porcentagem de mulheres em altos cargos de liderança era de apenas 26%, por exemplo.

Outro estudo, de 2021, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), revelou que as mulheres ocupam 41,4% dos cargos de liderança na América Latina e no Caribe. Apesar disso, representam mais da metade da força de trabalho geral.

Ao analisar os dados conforme o nível de hierarquia, o BID descobriu que elas ocupam apenas 23,6% dos cargos de nível 1, equivalentes a um ministro, enquanto representam 44,2% dos de nível 4.

Por isso, vale ressaltar que, a presença das mulheres em posições de destaque e tomada de decisões ainda é limitada, embora representem uma parcela significativa do funcionalismo público.

Dessa forma, as razões para esse cenário são várias: desigualdades históricas, estereótipos de gênero, obstáculos culturais, acúmulo de funções, falta de segurança, entre outras.

liderança feminina no setor público
Fonte: Freepik.

Quais são os benefícios de ter uma maior representação feminina em papéis de liderança?

A ampliação da participação feminina em cargos de liderança no setor público traz consigo uma série de benefícios significativos. Não apenas em termos de equidade de gênero, mas também pelas transformações positivas que trazem para o setor.

Ainda segundo o estudo feito pelo BID, “evidências empíricas indicam uma correlação positiva entre mais mulheres em cargos de decisão pública e maior crescimento econômico, igualdade de gênero e investimentos sociais em educação, saúde e proteção ambiental.”

Todavia, dados apontados no mesmo relatório reforçam que “a participação das mulheres em cargos de tomada de decisão em políticas públicas impulsiona objetivos adicionais de cobertura, eficiência e eficácia dos serviços públicos”.

Sendo assim, é possível dizer que a maior presença de mulheres em postos estratégicos traz perspectivas diferentes e contribui para uma tomada de decisões mais abrangente, eficiente e representativa.

Além disso, vale destacar que a presença de mulheres em posições de liderança pode ter um “efeito cascata”, e servir de motivação e inspiração para outras profissionais, incentivando-as a buscar o desenvolvimento de suas carreiras e a quebrar barreiras de gênero.

Isso contribui também para uma maior visibilidade da empresa, principalmente como referência em governança, um dos pilares do ESG.

Essa representatividade, por sua vez, pode trazer benefícios não apenas para o setor público, mas para a transformação da sociedade em geral.

Mulheres em reunião representando a liderança feminina no setor público
Fonte: Freepik.

Quais são os desafios para a liderança feminina?

Dentre os principais desafios para uma maior porcentagem de líderes mulheres, principalmente no setor público, estão:

  1. Preconceito e desvalorização: isso inclui estereótipos de gênero que associam mulheres à fragilidade e falta de assertividade, além da dificuldade de serem levadas a sério em cargos de liderança por desvalorização de suas habilidades e competências;
  2. Falta de representatividade: com um menor número de mulheres em cargos de liderança, especialmente em níveis mais altos, também faltam de modelos e exemplos para inspirar outras mulheres;
  3. Escassez de oportunidades: elas tem menor acesso a oportunidades de progressão na carreira e com isso, dificuldade em serem consideradas para cargos de liderança.
  4. Desigualdade salarial: mulheres em cargos de liderança ganham, em média, menos do que homens na mesma posição e a diferença salarial que persiste mesmo após considerar fatores como experiência e educação;
  5. Síndrome da impostora: sentimento de insegurança e autodúvida, mesmo com qualificações e experiência além da dificuldade em reconhecer suas próprias habilidades e conquistas, inviabilizando o empoderamento feminino.

Quais são as características necessárias para se destacar como liderança feminina no setor público?

Para se destacar no setor público, é importante desenvolver competências técnicas e comportamentais, ambas essenciais para o exercício de uma liderança realmente efetiva.

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Sendo assim, as principais habilidades comportamentais para se destacar no setor público incluem:

  • capacidade de comunicação;
  • habilidades de negociação;
  • pensamento estratégico;
  • resolução de problemas complexos e conflitos; e
  • habilidades de gestão de pessoas.

Tudo isso além de possuir conhecimento técnico ou ter experiência na área em que atua, seja saúde, economia, segurança, infraestrutura, ou outras que fazem parte da agenda do setor público.

Vale destacar, também que, na carreira pública tem-se valorizado, cada vez mais, a busca por aperfeiçoamento e atualização profissional. Por isso, é essencial manter-se engajada em eventos, oportunidades de capacitação e inovações capazes de contribuir para o setor.

Como as mulheres podem conquistar mais cargos de liderança?

Essa pergunta não tem apenas uma resposta. Na realidade, esse cenário será alcançado com a implementação de políticas estruturantes e outras iniciativas.

Daniela Gorayeb, atual assessora de Participação Social e Diversidade do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, ressalta serem necessários incentivos relacionados à criação de mecanismos de defesa e bloqueio de assédio, discriminações e outras formas de violência praticadas contra as mulheres.

A sensibilização precisa acontecer não apenas no setor público, mas envolver movimentos sociais e a sociedade como um todo, segundo a assessora. Isso para a implementação das ações concretas de equidade.

Além disso, para encorajar as mulheres a desenvolver autoconfiança e autoestima é preciso ir além das mudanças estruturantes. Assim, elas se sentem confiantes o suficiente para enfrentar estereótipos internalizados na sociedade.

Além disso, a construção de uma ampla rede de contatos e a busca por mentorias, em especial de mentoras mulheres, podem suprir a necessidade de suporte e orientação em momentos cruciais da trajetória profissional feminina.

Por fim, vale o destaque para a importância da capacitação e do aprimoramento constante para alcançar posições de liderança.

Ou seja, as mulheres conseguem impulsionar seu crescimento na carreira e aproveitar as oportunidades para fazer contatos estratégicos. Desde que invista em seu desenvolvimento profissional, buscando cursos, workshops e programas que impulsionam suas habilidades de gestão, liderança e tomada de decisões.

Conclusão

De fato, impulsionar a liderança feminina no setor público é uma estratégia essencial para promover a igualdade de gênero dentro e fora da administração pública.

Por isso, é necessário combater estereótipos e preconceitos de gênero, além de oferecer oportunidades de desenvolvimento e capacitação para as mulheres poderem alcançar seu pleno potencial.

Assim, as mulheres alcançam os benefícios individualmente e para a sociedade em sua totalidade, por meio de uma gestão pública mais eficiente, inovadora e representativa.

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Perguntas Frequentes

Veja as principais respostas sobre a liderança feminina no setor público:

O que falar sobre liderança feminina?

A participação feminina em cargos de liderança no setor público ainda é considerada insuficiente, apesar dos avanços conquistados pelas mulheres nas últimas décadas, mas é importantíssima para uma melhor distribuição de renda, combate ao preconceito e promoção da justiça social.

Quais são os desafios para a liderança feminina?

Dentre os principais desafios para uma maior porcentagem de líderes mulheres, principalmente no setor público, estão: preconceito e desvalorização; falta de representatividade; escassez de oportunidades; desigualdade salarial; síndrome da impostora.

Quais são os benefícios de ter uma maior representação feminina em papéis de liderança?

Os principais benefícios de uma maior liderança feminina são: maior crescimento econômico, igualdade de gênero e investimentos sociais em educação, saúde e proteção ambiental; melhor cobertura, eficiência e eficácia dos serviços públicos; tomada de decisões mais abrangente, eficiente e representativa; e servir de inspiração para outras profissionais; maior visibilidade da empresa.

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